E cada dia menos.
Menos.
Nem mais uma palavra, ou fotos, ou cartas, ou e-mails, ou conversas eletrônicas.
[Chega das lembranças inúteis de palavras vãs e promessas não cumpridas.]
Nem mais nem mesmo as lembranças - que tem se tornado cada vez menores.
Escassas.
Esquecidas.
Nem mais as histórias pra contar, ou as palavras pra trocar.
Nem mais nada.
Então agora é assim: cada vez mais distante, mais perto do poço fundo do esquecimento.
Mas nos dias de calor ainda lembra-se que...
Nos dias de frio, coloca-se no fundo da caixa que fica embaixo da cama.
Nem mais uma notícia.
Nem mais uma lágrima.
O que sobrou foram as músicas e suas melodias que também não são mais ouvidas, em especial aquela música.
O que sobrou foi uma lição pra vida toda.
O que sobrou foi um resto de nada, do que talvez nunca tenha existido.
Sobraram sonhos.
Sobraram sentimentos.
Sobraram sorrisos.
Sobraram coisas verdadeiras e sinceras que você nunca saberá quais são.
Não por nada, mas simplesmente por que agora que não as quer dividir sou eu.
"Você pode desconfiar de uma admiração, mas não de um ódio. O ódio é sempre sincero."
Millor Fernandes
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