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Princesas

Toda menina, quando pequena, coloca uma fronha na cabeça e imagina que está casando, sim, nós costumamos fantasiar esse dia desde os cinco anos de idade, assim como também imaginamos que somos princesas e idealizamos um príncipe encantado. Ele pode ser loiro, moreno, alto, baixo, pode vir no cavalo branco ou de balão, mas ele sempre vem. Sempre pra nós.
Desde pequena, quando imaginava qualquer uma dessas histórias que incluíam vestidos bufantes, lá estava ele: meu querido e nobre rapaz disposto a me dar seu amor. Ele sempre tinha o mesmo rosto, o mesmo sorriso, o mesmo jeito de cuidar de mim. Imaginem então o susto que tomei quando num mês de junho desses da vida me deparei com ele? Eu estava ali, estática, minhas pernas tremiam, minha saliva secou, eu não ouvia e não sentia mais nada ao meu redor. O único sentido que funcionava com certeza era a visão, que por sinal, via somente ele, ali, bem na minha frente. Estranhamente ele não me reconheceu, não sabia meu nome e pela primeira vez ou soube o seu, que até então era apenas "Príncipe Encantado".
Desse dia pra cá muitas águas rolaram, muita coisa mudou e eu posso te garantir uma coisa: com o meu príncipe só houve decepções. Aliás, de encantado ele não tinha nada. Vai ver nem era ele, era algum usurpador que veio só pra me tirar o juízo (o pouco que me restava), que veio me mostrar que essa categoria de homens não existe. Veio me provar por A+B que contos de fada nunca tiveram finais felizes. Ele me ensinou a não mais entregar meus sentimentos a ninguém, levou toda a minha emoção na sua mala, junto com as bugigangas. 
Então, como num passe de mágica, na minha frente, o espelho me mostrou que Cinderela não encontrou seu outro sapatinho de cristal, vendeu o que tinha e foi fazer intercâmbio; Rapunzel vagou pelo deserto e chegou em Miami, hoje é dançarina numa dessas casas noturnas, Bela Adormecida fez as malas enquanto seu marido escroto dormia (que ironia!) e foi ser feliz em algum país bem longe dele e Branca de Neve largou os anões, veio pro Brasil, pegou uma cor e tornou-se inspiração de Alceu Valença ao mudar seu nome para "Morena Tropicana". 
Vês? Finais felizes devem mesmo ser difíceis de serem encontrados, mas eu, assim como elas ainda estou tentando sobreviver. Sobreviver num país tão grande, tão quente e tão cheio de gente carente. Tô tentando sobreviver dando um pouco de carinho aqui, recebendo um pouco ali, até que a imagem desse príncipe não encantado que tenho aqui em mim desde os cinco anos de idade se apague de vez. Até lá, não quero nada além disso: momentos tão finitos quanto sonhos bons. Não quero mais ter que sofrer, que me entregar, que chorar. Pode parecer medo ou fraqueza, pois que seja, melhor prevenir que remediar, não acham?
Qualquer dia desses vou fazer um encontro com essas princesas pra saber como anda suas vidas e suas emoções, e aí volto aqui pra falar pra vocês. Por enquanto eu sei que quero ser feliz com ou sem alguém, serei feliz e completa sempre, minha essência ninguém pode levar. Essa sou eu: mais uma princesa com o peito destruído, sem emoção, sem amor, mas com muito carinho ainda pra dar. 
Ninguém sabe o que se passa realmente no coração de uma mulher.

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Ao seu lado

Sei lá. Só sei mesmo que chega aquela hora que a coisa aperta, parece que tá ficando preta e você não sabe pra onde correr. Sim, você sabe que está feliz, talvez como nunca antes, mas também sabe que falta algo lá dentro de você, naquele cantinho. Você costuma perceber isso na calada da noite e também nos dias de Sol. Você sabe que as coisas estão dando certo, que seus planos serão concretizados, mas também procura por alguma mão, por alguém que te complete de alguma forma e não sabe o que fazer.
Procura, procura, procura e tudo que encontra são as incertezas do caminho. Tudo que encontra são as suas mesmas perguntas... ainda sem resposta alguma.
Sente vontade de chorar, então, aperta o travesseiro por que simplesmente não se permite mais. Olha pro telefone, tem vontade de ligar, tenta até discar mas não sabe pra quem ou se sabe, tem medo da reação do outro lado.Você sabe que está seguindo em frente e que em algum lugar desse mundo tem alguém que, enfim, preencha todos aqueles buraquinhos deixados ao longo da vida. Alguém que faça com que todos esses buraquinhos pareçam coisas completamente insignificantes, mas você está num país muito grande, num estado muito grande, numa cidade e num bairro muito grandes e todo calor que está fazendo lá fora te deixa perdido, com medo, com vontade de chorar... talvez um leve desespero. 
Parabéns se você achou alguém realmente bacana, mas comigo, como numa fração de segundos, a vida vira e aquela pessoa some como espumas ao vento: PUF! Some e te deixa de novo no ponto onde parou... até que você novamente se pergunta, mas mais uma vez não tem respostas.
Você sabe que só não quer mesmo voltar para o fundo de onde saiu por causa de alguma coisa que te tirou o juízo, mas tem certeza que quer voltar a acreditar um pouco mais no próximo e se esse próximo quiser estar mais próximo de você, porque não? Seria muito mais fácil se conseguíssemos deixar o rio seguir o seu rumo.

''Eu não preciso de você nem para andar, nem para ser feliz; mas como seria bom andar e ser feliz ao seu lado '' - Tati Bernardi

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Sem ondas

A emoção se foi de mala e cuia no dia em que aquele rapaz ruivo resolveu mentir, justificar coisas injustificáveis e ir embora sem deixar rastros. Era agosto, e me lembro até hoje do frio que fazia naquela noite. Sua mala deveria estar pesada, não sei, não a ergui para ver, mas tenho quase certeza que sim, por que ali além de roupas e sapatos também tinha tudo aquilo que juntei, que senti, que entreguei sem pedir nada em troca. Ali, no meio da bugiganga: todo encanto, todo romantismo, toda emoção que um ser, no seu mais sublime estado de paixão, pode entregar.
Desde esse dia tenho conhecido outras pessoas que me fizeram sorrir, que me contaram de suas vidas, que partilharam seus pensamentos, algumas até me beijaram, me levaram a lugares novos, mas em nenhum desses momentos houve, de fato, a tal da emoção. A emoção deve ter acabado ou ido naquela mala de vez. É legal conhecer gente nova e às vezes até fantasiar algumas coisas na terra onde todos os pensamentos são permitidos, mas é mais legal ainda se olhar no espelho e ver a realidade bem na sua frente: não existe contos de fadas, tão pouco príncipes em seus cavalos brancos, só existe a vida real. Pálida, seca, direta: apenas a vida real.
Hoje eu já não espero nem procuro pelo verdadeiro amor, por que sei que muito do que eu tinha guardado pra ele se foi dentro daquela mala, naquele inverno. Mas não fique triste ao ler esse desabafo e, talvez, senti-lo como um tapa na cara, isso não é ruim! Isso é apenas a realidade me mostrando que é necessário viver o agora e nada mais além. Você não sabe o que pode te acontecer daqui uma hora. Essa mesma realidade vai te possibilitar conhecer várias outras pessoas, com outros pensamentos e outras histórias de vida, sempre com o pé no chão, sempre lembrando que emoção daquelas que te faz tremer as pernas só existe no cinema, ou no máximo uma vez na vida. 
Pode ser que apareça alguém que queira ficar ao meu lado mesmo com essa lista de defeitos enormes, pode ser. Pode ser que essa pessoa me faça sorrir até a barriga doer, me mande flores sem motivos aparentes, recados fofos no celular e me abrace quando eu estiver sofrendo. Pode ser. E sem dúvida alguma serei feliz ao lado dessa pessoa, faremos planos juntos, viajaremos e encontraremos nossos amigos aos finais de semana, mas aí será algo brando, calmo, como um mar sem ondas. São essas ondas que nos fazem lutar, lutar até cansar no final. Elas te dão emoção, mas também te deixam exausto no fim do dia, quase sem forças.
Amanhã eu não sei como será minha vida, não sei se acontecerá algo que poderá mudar seu rumo pra sempre, mas agora eu sei que não sofro mais, não faço mais planos e nem espero pelo príncipe encantado. Agora eu  canto, danço, arrumo o cabelo. Agora eu vivo, e se algum dia o mar vier sem ondas me sentirei privilegiada. Do mesmo jeito que estou me sentindo agora.

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Abaeté


Sentou no bar. Não esperava ninguém, apenas sentou e ficou observando as pessoas. Pediu uma Ice para matar o tempo com sabor, enquanto ainda fazia seu estudo etnográfico. Etnograficamente alcoolico.
Não tinha nada a comemorar, na verdade tinha algumas coisas, mas não tão importantes a ponto de merecerem de fato alguma comemoração.
Enquanto saboreava aquele azedinho alcoolico do limão, refrescava-se e pensava nas coisas da vida, que passam. Pensava profundamente que a única coisa que importa de verdade é o agora. Pensava na covardia dos homens que fogem, que preferem se esconder atrás de qualquer coisa que não mostre o rosto, agindo como ema enfiando a cabeça no buraco. Como entender esses homens? Num dia tudo são rosas e no outro simplesmente somem. Pensava tudo isso a cada gole, vagarosamente. 
Naquele bar, naquela cadeira, mas não exatamente naquele dia, alguém poderia ter mudado sua vida de alguma forma, mas não mudou, apenas fez parte de um conto de fadas pequeno, passageiro e rápido. Ambos sabiam que essas eram as condições básicas desse não-relacionamento, mas assim acabar sem avisar? Como se acaba o que nem começou ainda?
Mais um gole e em cada sorriso encontrava, talvez, uma nova esperança. Talvez. 
Apagava com o álcool qualquer pequena lembrança - e até boas - que poderia ter. Pra que guardar o que só ocupa espaço? Vamos nos desapegar. 
Pagou a conta e saiu, sorrindo, sem companhia, mas em paz consigo mesma. Paz mais que merecida depois de tantas tempestades. Hoje poderia ter caído mais um temporal, mas não caiu. A tarde se colocou em seu coração com toda calmaria que se pôs no Abaeté ou em qualquer outro ponto turístico do mundo que transmita essa sensação. Não se importou mais com as pedras dos caminhos ou com as atitudes alheias, importou-se apenas com a sua essência que a cada dia tornava-se mais viva, doce e verdadeira.
Seguiu pela Av Paulista, pela primeira vez sem medo do amanhã. Sorriu, enfim, aliviada.


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zero

E por tantos motivos dos quais nem vale a pena falar, recomeço do zero.
Fez mal? Do zero.
Estragou? Do zero.
Errou? Do zero.
Do zero até que o passado pareça apenas um grão de areia no deserto.
Do zero, de sorriso em sorriso, de verdade em verdade, até que as verdades sejam apenas uma, única, imutável.
Do zero, para que não haja desperdício de sentimentos.
Do zero, para que hajam apenas presentes. Bons presentes. Felizes presentes.
O futuro não precisa de zeros, mas também não precisa de dissimulações.
Do zero, como deve ser: sem sofrimentos.

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Só mais uma


"Talvez ainda seja cedo"
Pensou enquanto estava deitada e levava as mãos à cabeça. Ainda seja um pouco cedo pra falar sobre coisas que costuma-se dizer já num estágio avançado de um (quase) relacionamento. Cedo para falar de algumas coisas mas não para fazer outras coisas... Será que é tão difícil assim? Será tão difícil falar em saudade quando ela realmente existe? Ou seria mais difícil ainda acreditar na veracidade de algumas palavras? Gato escaldado tem medo de água fria, como diria vovó.
Talvez seja essa maldita mania humana de querer pensar no futuro. Mas quem falou nisso? O que importa é o agora, é tempo que temos daqui a uma hora, que temos hoje para estarmos com quem nos faz bem, telefonar, mandar mensagem, sei lá, qualquer sinal de vida que te aproxime. O amanhã, sinceramente, não importa. Gastou muito tempo de sua vida desenhando, planejando, desejando um futuro que nunca aconteceu e não está disposta a cometer o mesmo erro, assim como não está disposta a ser largada no canto da estante... novamente.
Falar de saudade quando a sente é sinceridade, é querer fazer valer a pena o agora, é precisar estar perto mesmo estando longe. Aliás, as distâncias nunca foram um problema pra quem quer estar perto. Basta querer. Você concorda?
Problemas passados são problemas passados, o agora somos nós e depois a gente vê o que vai ser do futuro, mesmo que ele não seja ou seja separado, sei lá, não importa. O que importa é a saudade agora. Pra sentir saudade não precisa de muito não, amigo. Pra sentir saudade basta fechar os olhos e pensar em algo que te faz bem, que te faz ser feliz nesse instante e nada mais. A saudade é pura, compreende?
Uma coisa não tem relação com a outra  e saudade é só vontade de querer estar perto de novo.
"Mas não querer também é uma opção" - pensou ela enquanto preparava-se para mais um dia.
E temos tantas opções que só mais uma saudade não vai fazer tanta falta assim, portanto, cuidado com as atitudes.


'..Mesmo que a gente se perca, não importa. Que tenha se transformado em passado antes de virar futuro. Mas que seja bom o que vier, para você, para mim..'
Caio F. Abreu
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Insubstituível


Não é difícil no mundo atual encontrar pessoas sozinhas por aí, muitas vezes procurando por uma companhia sentimental. Principalmente nas grandes metrópoles, o mal do século é sem dúvida a solidão que ronda a correria do dia a dia. Bem aventurados sejam aqueles que de fato encontram alguém para compartilhar os sonhos.
Infelizmente os verdadeiros sentimentos andam sendo sucateados, tratados como pedaços de nada por causa de coisas pequenas, momentos tão finitos quanto um sonho bom – daqueles que te faz despertar na melhor parte. Primeiro, as pessoas se queixam da solidão que as acompanha, depois, quando encontram alguém que as fazem se sentir bem, começam a agir de uma maneira estranha, como se sentissem – de certo modo – saudade da situação anterior. Essas pessoas não sabem o que sentem e nem o que querem e, sinceramente, sinto muita pena delas.
Há também aqueles casos que têm medo de chegar em casa a noite e não ter ninguém com quem conversar, para essas pessoas não importa quem seja, desde que tenha alguém esperando por elas. Não há nada pior que o medo de ser sozinho. Esse mesmo medo pode te fazer perder muitos anos de sua vida e da vida de outra pessoa – o que é pior – por estar ao lado de alguém que você não ama, apenas por que tem medo de apagar a luz e deitar-se sozinho. Isso também é egoísmo. Dos grandes.
Com o passar do tempo um relacionamento pode tomar muitas proporções para melhor e para pior, pode fazer crescer ou te tornar ainda mais infantil e dependente, mas algumas vezes – e isso independe do tempo de duração do relacionamento – as pessoas simplesmente se acomodam, aquela coisa bacana do começo passa a se tornar um mero adereço de decoração como muitos outros dentro de casa, as pessoas inconscientemente passam a agir como pedras na praia e esquecem que podem ser substituídas em um minuto. Sim, substituídas. Num piscar de olhos você pode acordar e ver que toda a emoção foi por água abaixo. Eu sei o quanto é ruim ouvir isso assim, na lata, como um tapa na cara, mas por experiência própria sei também que não há amor que te faça sofrer e sangrar o suficiente para não haver substituto. Principalmente nesses casos de dor: pode durar um dia, um mês, um ano, mas algum dia depois de tanto chorar, sofrer e se achar um lixo humano, você vai sentar na mesa de um bar qualquer e encontrar alguém que te faça te sentir vivo novamente, que te faça acreditar que você é sim capaz de amar de novo, e de novo e quantas outras vezes forem necessárias. Se não amar, pelo menos acreditar de novo no outro, acreditar que você é, sim, capaz de tornar alguém feliz. É preciso uma grande queda para aprendermos a nos reerguer. O amor pode vir gradativamente, a cada sorriso, a cada palavra, a cada companhia, mas sem dúvida alguma ele pode – e deve – ser substituído quando tudo que faz é te jogar pra baixo. Pegue a chave do segredo e siga seu caminho.


"You must not know about me, you must not know about me
I can have another you by tomorrow
So don't you ever for a second get to thinking
You're irreplaceable"
Beyoncé


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